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Psicologia

 

 

 

 

Anorexia

É um transtorno caracterizado por deliberada perda de peso induzida e/ou mantida pelo paciente.
Ocorre mais comumente em garotas adolescentes e mulheres jovens, porém garotos adolescentes e homens jovens também podem ser afetados mesmo que raramente, assim como podem ser afetadas crianças que estão próximas da puberdade e mulheres próximas da menopausa.

Características:

1- O peso corporal é mantido em pelo menos 15% abaixo do esperado;
2- A perda de peso é auto - induzida por abstenção de "alimentos que engordam" e um ou mais do que se segue: vômitos auto-induzidos, purgação auto-induzida, exercício excessivo, uso de anorexígenos e/ou diuréticos;
3- Há uma distorção da imagem corporal na forma de psicopatologia específica por meio da qual um pavor de engordar persiste como uma idéia intrusiva e sobrevalorada e a pessoa impõe um baixo limiar de peso a si própria.


Bulimia

É uma sindrome caracterizada por repetidos ataques de hiperfagia e uma preocupação excessiva com controle de peso corporal, levando a pessoa a adotar medidas extremas, a fim de mitigar os efeitos "de engordar" da ingestão de alimentos.
A distribuição etária e por sexo é similar àquela da anorexia, porém a idade de apresentação tende a ser ligeiramente mais tardia.

Características:

1- Há uma preocupação persistente com o comer e um desejo irresistível de comida. A pessoa sucumbe a episódios de hiperfagia, nos quais grandes quantidades de alimento são consumidas em curtos períodos de tempo;
2- A pessoa tenta neutralizar os efeitos "de engordar" dos alimentos através de um ou mais do que se segue: vômitos auto-induzidos, abuso de purgantes, períodos alternados de inanição, uso de drogas tais como anorexígenos, preparados tireoideanos ou diuréticos. Quando a bulimia ocorre em diabéticos, eles podem escolher negligenciar seu tratamento insulínico;
3- A psicopatologia consiste de um pavor mórbido de engordar e a pessoa coloca para si mesma um limiar de peso nitidamente definido, bem abaixo de seu peso ótimo ou saudável.


Compulsão Alimentar

A compulsão alimentar é a procura imperiosa de um alimento preciso, consumido rapidamente, geralmente no intervalo das refeições. É um vício por determinados alimentos, sempre de grande valor calórico como: chocolates, doces e carboidratos (30% das pessoas obesas são compulsivas).
A compulsão alimentar manifesta-se não só pela busca ansiosa de comida como também por uma sensação subjetiva de falta de controle. Em um determinado momento a pessoa faz uma orgia com a comida, por exemplo: come uma pizza inteira em 20 minutos ou uma caixa de bombons, para depois entrar em culpa e ficar uma semana passando a sucos. É assim que os obesos perpetuam o tão conhecido "efeito sanfona". É um movimento perpétuo de engordar e emagrecer.
As compulsões alimentares são resultantes de problemas emocionais gerados pelo meio, pelo estresse, pelas agressões do cotidiano, pela solidão, pela ansiedade, pelas depressões e algumas vezes quando se pára de fumar.
Muitas vezes o alimento parece ser a única maneira que alguns indivíduos encontram como forma de prazer. É um processo para se tratar com psicoterapia, mas, não é um tema rápido, com interpretações simplistas que qualquer revista feminista tem trazido, tais como: "come muito para suprir o vazio interno" ou "come muito como substituto para o sexo" e outras afirmações genéricas como esta.
A obesidade é uma doença crônica que, apesar de todos os esforços, tem aumentado assustadoramente nos países industrializados.
Aliar o acompanhamento psicoterapêutico ao tratamento da obesidade com endocrinologistas e nutricionistas dará ao indivíduo a condição de decodificar a dinâmica da sua compulsão alimentar, organizar as emoções e livrar-se dos entraves que dão sustentação para esta compulsão.


Questões Psicológicas sobre os Distúrbios de Alimentação

Na década de 60 os clínicos apenas começavam a comentar o problema. Hilda Bruch, publicou seu artigo seminal sobre distúrbios de alimentação em 1969. Ela acreditava que uma das várias causas desse distúrbio seria a incapacidade de identificar e reagir adequadamente a impulsos físicos (por exemplo, a fome). Desde então, a literatura clínica sobre distúrbios de alimentação floresceu, com uma série de hipóteses sobre as causas, que vão desde garotas cada vez mais jovens sentindo-se obrigadas a competir com padrões de beleza inatingíveis, a mães que envolvem as filhas numa teia controladora de culpa e censura.
Mas, a maioria dessas hipóteses apresentava uma grande falha: eram extrapolações de observações feitas nas sessões de Psicoterapia. Muito mais adequado, do ponto de vista científico, são estudos de grandes grupos de pessoas num período de vários anos, pois propicia uma nítida comparação que permite identificar, por exemplo, se o fato de ter pais controladores predispõe a garota a distúrbios de alimentação. Além disso, pode identificar o conjunto de condições que levam ao problema e distingui-las de condições que podem parecer causa, mas na verdade se encontram tanto em pessoas sem o problema quanto nas que buscam tratamento.
Então, através de uma pesquisa minuciosa foi detectado que os déficits emocionais, sobretudo a incapacidade de distinguir sentimentos e de não controlá-los eram os principais fatores que poderiam desencadear os distúrbios de alimentação. A junção disto com a insatisfação com o próprio corpo poderia ter como resultado a anorexia ou bulimia.
As correntes causais reveladas por esta pesquisa começavam com os efeitos sobre as meninas de uma sociedade preocupada com uma magreza anti-natural como sinal de beleza feminina.
Em alguns casos, muito antes da adolescência, as meninas já se preocupam com seu peso. Uma garotinha de 6 anos, por exemplo, rompeu em prantos quando a mãe a convidou para ir nadar, dizendo que ficava gorda de maiô. Na verdade, diz o pediatra dela, que conta a história, o peso da menina era normal para a sua altura.
Num estudo de 271 jovens adolescentes, metade das garotas se julgava gorda demais, embora a maioria tivesse peso normal. Porém, um estudo mostrou que a obsessão com o excesso de peso não é suficiente, em si, para explicar por que algumas garotas passam a ter distúrbios de alimentação.
Algumas pessoas obesas são incapazes de distinguir entre medo, raiva e fome, e assim embolam todos esses sentimentos como significado "fome", o que as leva a comer demais sempre que não estão bem. De maneira semelhante acontece com garotas anoréxicas ou bulímicas. Por exemplo, essas garotas podem ter um problema com o namorado e não saber se estão com raiva, ansiosas ou deprimidas, sentem apenas uma difusa tempestade emocional com a qual não sabem lidar efetivamente. Em vez disso, aprendem a se sentir melhor comendo. Mas quando esta atitude interage com as pressões que as garotas sentem para permanecer magras, está aberto o caminho para o surgimento de distúrbios de alimentação.
A princípio ela pode começar com orgias de comida, mas para continuar magra tem de recorrer a vômitos ou laxativos, ou intenso exercício físico para perder o peso ganho com o excesso de comida. Outro caminho que essa luta para lidar com a confusão emocional pode tomar é a garota não comer nada, pois pode ser um meio de sentir que tem pelo menos algum controle sobre seus sentimentos esmagadores.
A combinação de pouca consciência interior e fracas aptidões sociais faz com que essas garotas, quando perturbadas por amigos ou parentes, não ajam efetivamente para melhorar o relacionamento ou sua própria aflição. Em vez disso, a perturbação dispara o distúrbio de alimentação, seja bulimia, anorexia ou simplesmente orgias de comida.
A Psicoterapia, nestes casos, inclui a exploração das aptidões emocionais que falta à essas garotas, para proporcionar um aprendizado direcionado a identificações dos sentimentos e melhores meios de aliviar-se ou lidar com seus relacionamentos e problemas, sem recorrer aos hábitos alimentares mal adequados.


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CID 10; GOLEMAN, Daniel - Inteligência Emocional, pg.261,Editora Objetiva, RJ.

Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar
Características e Análise Psicológica
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